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+ Bebidas alcoólicas: idade média da primeira dose já caiu para 10 anos

Daniel Miranda, de 22 anos, estudante de Direito no Rio de Janeiro, parou de contar quantas cervejas tinha bebido quando passou da décima lata. Sua última lembrança daquela noite foi a tentativa de ultrapassar um Escort com sua moto - passando por cima do automóvel. Não conseguiu. Quando acordou no hospital, com um dreno no pulmão, havia perdido quase três litros de sangue. Ficou internado durante 12 dias e teve de extrair o baço. O amigo Renato Ramos Batista, de 20 anos, que ia na garupa, quebrou um braço, teve cortes na cabeça e levou cerca de 70 pontos.

 

Cientes da lição, os dois resolveram parar de vez - de andar de moto. Bebendo, eles continuam. Dias atrás, dois meses após o acidente, eles estavam no bairro boêmio da Lapa, cada um com uma garrafa de vinho na mão. No pescoço, um "metrinho" (versão adulta das almofadinhas de doce de leite, recheada com mel e cachaça, vendida por metro). Renato conta que numa só noite enxugou 2 litros de gummy (água, vodca e suco em pó), três cubas-libres e muita cerveja, tudo temperado com algumas doses de

Drinks

energéticos. Por farras como essa, foi parar quatro vezes no hospital.

 

Não se considera, porém, dependente. " Bebo socialmente, só nos fins de semana", diz Daniel. No Carnaval, embriagou-se a tal ponto que nem sequer conseguiu descer do ônibus. "Não tinha forças " , explica o rapaz, que exibe cicatrizes na testa por causa das brigas em que se meteu quando estava bêbado.

 

Daniel e Renato não são jovens típicos, esclareça-se. Mas seu comportamento é cada vez mais popular entre os jovens. Beber pesadamente, mesmo que não todo dia, é um hábito que ganha adeptos a partir de idades cada vez mais precoces.

 

Uma pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Educação - Unesco , com 50 mil estudantes brasileiros do ensino fundamental e do médio mostrou que 34,8% deles tomam bebidas alcoólicas - o que representa um contingente de 17,4 milhões de jovens. O psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, da Universidade Federal de São Paulo - Unifesp, está concluindo um estudo com adolescentes paulistas entre 15 e 18 anos de classe média alta, grupo que freqüenta bons colégios e tem uma mesada significativa para passear e consumir. Constatou que 42% bebem até oito vezes por mês, 14% ingerem álcool entre nove e 20 dias por mês e 9% são bebedores pesados (mais de 20 sessões mensais).

 

O surpreendente nesses estudos não é o fato de que universitários gostem de tomar um chope. É que isso cada vez mais vale para garotos de 12 anos, ainda em fase de crescimento. Um terço dos adolescentes diz que começou a beber entre os 10 e os 12 anos. Uma década atrás, a idade média da iniciação era 14 anos.

 

Mesmo nessa faixa etária, o consumo em grandes quantidades já é considerado "normal" - deixou de ser excepcional para se tornar padrão. "A bebida não é vista como um perigo. Tanto que muitos jovens têm as primeiras experiências dentro de casa", diz a Psicóloga Fabiana Delbon, do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes - Proad, de São Paulo.

 
 
 
 
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