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+ Bebidas alcoólicas: idade média da primeira dose já caiu para 10 anos

Na fila da boate Bedroom, em São Conrado, Zona Sul do Rio, as garrafas de cachaça nas mãos dos rapazes chamam a atenção. É uma corrida. Em menos de 20 minutos eles querem beber o máximo possível, para não ter de gastar a mesada lá dentro, onde uma dose de vodca custa R$ 7, contra R$ 5 da garrafa no supermercado próximo de casa. O estudante secundarista Gustavo Moraes, de 18 anos, fez uma vaquinha com dois amigos para comprar duas garrafas de vodca. No ônibus, tomaram uma. Na fila, tentavam acabar com a outra. "O negócio é entrar turbinado " , afirma. Mas por que beber tanto? " É como o espinafre do Popeye ", compara Leonardo Tavares, de 21 anos, estudante de educação física. " Fico mais leve, mais tranqüilo, chego nas princesas mais fácil ", explica o estudante de Direito Felipe Sampaio, de 18 anos.

 

Em todo o mundo, uma em cada oito pessoas que bebem regularmente vira alcoolista. Mas não é apenas essa roleta-russa do vício o que mais preocupa os médicos. O principal temor é pela grande maioria que não chegará a se tornar dependente, mas poderá ter problemas de saúde por se acostumar desde cedo a "encher a lata". Nos Estados Unidos, um pesquisador perguntou a 4 mil alunos do ensino médio se haviam ficado bêbados nos últimos 30 dias. Um terço respondeu sim. No Brasil, os especialistas crêem que o índice seja semelhante. Excessos de fim de semana, mesmo que não levem à dependência, causam danos progressivos ao organismo. E aumentam o risco de acidentes de trânsito e violência.

 

Bebedeiras homéricas costumavam ser associadas à combinação de juventude e testosterona. Até hoje os rapazes viram copos como se o gesto fosse uma demonstração de virilidade. Mas agora as meninas também enxugam. "Foi-se o tempo em que moça que bebia era malvista. Hoje elas competem com os rapazes", diz Silveira, da Universidade Federal de São Paulo - Unifesp. Em São Paulo, a estudante de cursinho Bruna Prati, de 19 anos, sua irmã Júlia, de 21, que cursa nutrição, e a colega Giselle Pereira, de 20 anos, sempre saem juntas, "para cuidar umas das outras" depois das cervejinhas.

 

Moradoras de um bairro longe dos lugares badalados, sabem que a volta para casa tem alguns riscos. "A gente vai conversando, para ninguém pegar no sono na estrada", diz Bruna. Ela explica que, se por algum motivo não pode beber, prefere nem sair de casa. "Bebendo me sinto menos tímida e mais sociável. Álcool descontrai e tira o vínculo da rotina". Em Salvador, as estudantes Juliana Sampaio e Lara Mendes, ambas de 19 anos, saem de quinta a domingo. A cada noite, Juliana contabiliza uma média de cinco doses de uísque e meia dúzia de cervejas. Volta para casa de carro. "Não fico mal, fico normal para a night"', garante. Lara, que cursa publicidade, prefere as caipiroscas, caipirinhas de vodca com frutas que fazem sucesso na capital baiana. "Tomo umas sete roscas e umas quatro cervejas long neck."

 
Graduação alcoólica
 

65% dos estudantes de escolas particulares entre 15 e 18 anos tomam bebidas alcoólicas
9% bebem mais de 20 vezes por mês;
O primeiro gole acontece aos 10 anos, em média;
Na década passada, o contato inicial com o álcool era aos 14 anos;
17 milhões de estudantes brasileiros do ensino fundamental e do médio bebem, contingente maior que as populações de Paraguai, Uruguai e Bolívia juntas.

 

Fonte: www.einstein.br/alcooledrogas
 
 
 
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