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+ Motivação para mudança

Ninguém muda a contragosto. Porém, a força de vontade nunca é a mesma o tempo todo. Há momentos de desânimo, desesperança, falta de sentido no desejo da mudança. É preciso ter um objetivo muito claro, saber as vantagens que essa conquista trará (elas serão maiores que as perdas?) e, sobretudo, é preciso apoio, pessoas que sabiam manter o moral elevado, que colaborem para o processo de mudança. Tudo isso tem estreita relação com a dependência química.

 
Existem estágios de mudança
 

Não basta saber se a dependência existe e quão grave se manifesta no indivíduo. É preciso compreender também sua motivação para a mudança. Esse modelo teórico, desenvolvido por Prochaska e DiClemente (1986), auxilia o planejamento terapêutico para cada paciente. Qualquer abordagem com dependentes de drogas deve respeitar o estágio de motivação de cada um destes. São seis estágios. Para cada um deles, há uma conversa mais efetiva e adequada:

 

Estágios de Prontidão para Mudança
Estágio motivacional
Apresentação do paciente
Melhor postura adotada
Pré-contemplação
Sem idéia sobre o problema e sem planos de mudar. Acha que seu consumo de drogas não lhe faz mal e está sob controle.
Evitar o confronto, mas sem perder a sinceridade. Flexibilizar sobre a evidência de dependência e buscar outros motivos para o paciente buscar ajuda.
Contemplação
Percebe um problema, mas está ambivalente para promover mudança.
O indivíduo deve ser sensibilizado objetivamente, dentro de um ambiente reflexivo. Pode-se levantar os prós e contras da abstinência e do consumo e as discrepâncias entre o consumo e os planos do indivíduo para o futuro.
Determinação
Percebe que tem um problema e que precisa promover mudanças. O indivíduo pede ajuda.
Ofereça soluções e retire barreiras. Negocie um plano de abordagem. Tudo deve ser muito rápido, porque é comum o indivíduo mudar de idéia sobre a mudança.
Ação
Pronto para começar a mudança.
Prover o suporte; definir a assistência; a família deve mostrar-se disposta a participar do tratamento sempre que solicitada.
Manutenção
Incorporação da mudança ao estilo de vida.
Reforçar o sucesso; reavaliar a farmacoterapia; aplicar a prevenção de recaída e avaliação de situações de risco; avaliação bioquímica.
Recaída
Volta para a contemplação ou pré-contemplação
Menos de 5% dos pacientes nunca recaem após iniciarem o processo de mudança e mais de 70% recaem antes do terceiro mês de abstinência. Retornam a algum dos estágios anteriores, para novamente evoluírem rumo à mudança. Não é o retorno à estaca zero, tampouco motivo para repreensões ou culpa. É um momento de aprendizado, visando a evitar ou dificultar recaídas futuras.
 

O tratamento da dependência química é acima de tudo a busca de um novo estilo de vida.
É uma mudança árdua, complexa, marcada por erros e escorregões. Qualquer processo de modificação comportamentos, em maior ou menor grau, é assim. Cabe à família, ao meio social e a equipe de profissionais do indivíduo motiva-lo para tal.

 
 
 
 
 
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