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+ Sob o poder do ecstasy

Nos últimos dois anos, o delegado Luiz Marcelo Xavier, da Polícia Civil fluminense, chefiou operações que prenderam traficantes de drogas sintéticas em diferentes pontos do Rio. Dos setenta presos, 90% eram estudantes universitários. Eles usavam serviços de comunicação pela internet, como Orkut e MSN, para negociar ecstasy. Ou, então, revendiam a droga em raves e boates. "O traficante do morro não tem acesso a esses lugares. Por isso, o vendedor ideal é alguém que seja como os freqüentadores", diz Xavier.

Para ele, muitos jovens são atraídos para esse tipo de crime movidos pela falsa idéia de que se trata de um tráfico limpo, ou seja, não associado à violência que cerca as drogas comercializadas em favelas, como cocaína e maconha. "Nas drogas sintéticas, as quadrilhas não disputam na arma, e sim no preço", diz. Além disso, a droga vem se popularizando por ser de fácil circulação: não tem cheiro, é do tamanho de uma aspirina e fácil de ser "disfarçada". Pode ser guardada, por exemplo, dentro de embalagens com pílulas de doces, o que dificulta a identificação tanto pela polícia quanto pela família.

 

Nem mesmo a polícia conhece em detalhes o funcionamento das novas quadrilhas ou o número de pessoas envolvidas. Mas aos poucos vão se delineando as características de seus integrantes (veja o quadro). Existe, por exemplo, a figura do atacadista, normalmente dono de negócios de fachada que opera no ramo de importação e exportação. Trata-se de pessoas que possuem contatos com laboratórios que fabricam a droga em larga escala no exterior, em geral na Holanda, o maior produtor mundial.

 

Com o lucro das grandes encomendas que trazem para o Brasil, os atacadistas lavam o dinheiro comprando imóveis, registrados em nome de laranjas. Uma quadrilha desbaratada no ano passado pela PF na Operação Tsunami havia adquirido em três anos o equivalente a 5 milhões de reais em imóveis.

 
 
 
 
 
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