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Artigos |
+ Sob o poder do ecstasy
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Outra forma de trazer a droga para o Brasil é fracioná-la em cargas menores, de até 400 comprimidos, por meio de encomendas postais. "Já encontramos ecstasy dentro de livros e até de sapatos vindos pelo correio. Para o atacadista, esse tráfico formiguinha é interessante, pois em caso de apreensão o prejuízo não é grande", diz o delegado federal Fernando Franceschini, da Coordenação de Operações Especiais em Fronteiras da Região Sul. Outra função importante na quadrilha é a do distribuidor, que compra parte da carga do atacadista e revende em lotes de no mínimo 100 comprimidos. Eles também têm a função de arregimentar revendedores, em geral jovens de classe média que vão a festas e boates repassar a droga ao consumidor final.
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O ecstasy, ou MDMA, é um tipo de metanfetamina, substância estimulante do sistema nervoso central. Sintetizada em 1912, a droga já foi usada como moderador de apetite e até como desinibidor em sessões de psicoterapia, mas acabou proibida nos anos 80. Seu uso causa sensação de euforia, gerada pela descarga de serotonina – neurotransmissor ligado ao prazer e ao bem-estar – que ela produz no cérebro. Mas também acelera os batimentos cardíacos, eleva a temperatura corporal e desidrata o organismo, o que leva o usuário a consumir muita água – item, aliás, que nas raves costuma ser tão ou mais caro do que uma cerveja. Passado o efeito da droga, geralmente ocorre uma sensação de depressão que dura cerca de dois dias.
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Há casos de usuários que, para evitar essa reação, consomem cada vez com mais freqüência, o que leva à dependência. Foi o que aconteceu com o analista de sistemas carioca Rodrigo (pseudônimo), 30 anos. Usuário de ecstasy nos últimos quatro anos, ele chegou a consumir a droga diariamente. "Para obter o mesmo efeito, comecei a usar cada vez mais. Cheguei a tomar oito balas (comprimidos) em uma mesma noite", conta Rodrigo, que passou por dezesseis internações para se livrar da dependência de cocaína e ecstasy e está há mais de dois meses sem usar substâncias tóxicas.
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Há outras drogas sintéticas que compõem com o ecstasy o grupo das chamadas club drugs. Como o GHB, ou ecstasy líquido, alucinógeno diluído em água ou no álcool. É extremamente perigoso, pois a diferença entre a dose que causa o barato da droga e a que pode levar à morte é tênue. Outro item da lista é a ketamina, ou Special K, anestésico veterinário do qual se extrai um pó branco para ser aspirado.
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Especialistas alertam para o avanço de uma droga desse mesmo grupo, com altíssimo poder de gerar dependência química. Trata-se do crystal, metanfetamina quase quatro vezes mais devastadora do que a cocaína. "Nos Estados Unidos, o crystal já é mais consumido do que o ecstasy. É atualmente a droga a ser combatida", disse a VEJA o psiquiatra Petros Levounis, diretor do Addiction Institute of New York, conceituado centro de estudo e tratamento de dependência dos EUA. No Brasil, já há relatos de consumo da droga no Sul e em São Paulo. Pelo visto, um novo perigo começa a rondar os lares da classe média brasileira.
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