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+ Retrato do alcoolismo

No Brasil, 12,3% das pessoas com idades entre 12 e 65 anos são dependentes de álcool, de acordo com a última pesquisa da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) sobre uso de drogas no país, feita em 2005. O número subiu mais de 1% em relação à pesquisa anterior, de 2001. A produção de bebidas alcoólicas se expande a cada ano e tudo indica que o consumo cresce em toda a América Latina.

 

Embora os dados indiquem um grave problema epidemiológico e a necessidade de providências urgentes, pesquisadores destacam a inexistência de informação científica suficiente para direcionar políticas públicas no setor. Por isso, um grupo liderado pelo médico Arthur Guerra de Andrade, professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), decidiu desenvolver

Retrato

uma ampla pesquisa sobre os padrões de consumo de álcool nos países latino-americanos. “Tudo o que temos são dados fragmentários, colhidos por metodologias diferentes, que não fornecem uma fotografia objetiva sobre o consumo de álcool na América Latina.

 

Queremos saber o quanto se bebe em cada região. Mas também precisamos saber quem são os consumidores, qual o contexto social do consumo, quais são as bebidas e quais são os impactos sociais, por exemplo”, disse Andrade à Agência FAPESP.

 

Andrade pretende angariar fundos para a pesquisa por meio do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), organização não governamental da qual é presidente. “Para termos uma amostra razoável, com dados confiáveis, projetamos fazer o levantamento, baseado em entrevistas, em 45 localidades de 33 países”, disse. Em uma avaliação preliminar, os pesquisadores calcularam que a pesquisa custaria mais de US$ 3,5 milhões.

 

Jim Anthony, professor do Departamento de Epidemiologia da Escola de Medicina da Universidade do Estado de Michigan, nos Estados Unidos, um dos principais especialistas do mundo em álcool e drogas, foi convidado para participar do estudo. Anthony veio ao Brasil em fevereiro para discutir o projeto, a convite do Cisa. “Pretendemos ter os dados disponíveis a curto prazo, o que significa de dois a três anos, em termos epidemiológicos”, disse Andrade.


 
 
 
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