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+ Violência e álcool, uma relação estreita

Ao cruzar os valores de etanol detectados nos exames com os horários dos óbitos, Carlúcio descobriu que a maioria das mortes em circunstâncias violentas ocorreu à noite, entre as 18 horas e 6 horas do outro dia. A média do teor de álcool encontrada no organismo de pessoas que morreram em altas horas da madrugada chegou a 13,23 decigramas da substância por litro de sangue. A partir de 10 dg/l, os reflexos ficam mais lentos e a deterioração do controle dos movimentos voluntários torna-se evidente. "Esses resultados corroboram a idéia de que a restrição de horários para a venda de bebidas alcoólicas pode reduzir o consumo e seus efeitos nocivos", destaca o pesquisador.

 

A restrição no horário de funcionamento dos bares que comercializam bebida alcoólica foi defendida em projeto de lei aprovado pela Assembléia Legislativa de Goiás em janeiro de 2003. A proposta, de autoria do Deputado Lívio Luciano, despertou polêmica e sofreu a pressão dos empresários do setor, que não concordavam com a medida, alegando que o fechamento dos bares mais cedo resultaria em prejuízos e demissões. Encaminhado ao Executivo, o autógrafo de lei retornou à Assembléia sem veto ou sanção e não chegou a ser promulgado. Ou seja, não se tornou lei.

 

"É preciso pensar em uma forma de controle da venda de bebida, sobretudo aos adolescentes", alerta Luciano Sardinha, Diretor-Geral do Hospital de Urgências de Goiânia - Hugo, para onde são levadas diariamente centenas de vítimas de acidentes no trânsito e de violência interpessoal. Muitos, vítimas ou autores de crimes, são adolescentes encaminhados ao hospital visivelmente embriagados.

 

Quem abusa do consumo de álcool invariavelmente vai sofrer alterações orgânicas, como redução da capacidade motora e da atenção, diminuição dos reflexos, descontrole emocional e sonolência, entre outras, alerta o Psiquiatra Lourival Belém. A intensidade dos efeitos, as reações e as conseqüências desse consumo abusivo vão variar de pessoa para pessoa.

 
 
 
 
 
 
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